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domingo, 16 de abril de 2017

A Lava Jato também pegará o Judiciário, diz ex-ministra

Eliana Calmon, foto Alexandra Martins, Agência Câmara

"A Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento. O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação." A previsão é de Eliana Calmon, ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça, ex-corregedora nacional de Justiça. "Muita coisa virá à tona", diz.

Ela foi alvo de duras críticas ao afirmar, em 2011, que havia bandidos escondidos atrás da toga. "Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. O que eles temem é a opinião pública e a mídia", afirma.

Pergunta - A Lava Jato poderá alcançar membros do Poder Judiciário?
Calmon - No meu entendimento, a Lava Jato tomou uma posição política. É minha opinião pessoal. Ou seja, pegou o Executivo, o Legislativo e o poder econômico, preservando o Judiciário, para não enfraquecer esse Poder. Entendo que a Lava Jato pegará o Judiciário, mas só numa fase posterior, porque muita coisa virá à tona.

Pergunta - Os tribunais superiores têm condições de instaurar e concluir todos esses inquéritos?
Calmon - É possível o Poder Judiciário punir a corrupção com vontade política. É difícil, porque tudo depende de colegiado. Muitas vezes alguém pede vista e "perde de vista", não devolve o processo. Hoje, o Judiciário está convicto de que precisa funcionar para punir.

Pergunta - Como deverá ser a atuação do Judiciário nos Estados com os acusados sem foro especial?
Calmon - Hoje, o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso de Sergio Moro. Os ventos começam a soprar do outro lado.

Pergunta - Como avalia o desempenho da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia?
Calmon - A ministra Cármen Lúcia demonstra grande vontade. Mas vai precisar de muito jogo de cintura. O colegiado é muito complicado, muito ensimesmado. Os ministros são muito poderosos. Há muita vaidade.

Pergunta - Como vê a crítica de que a lista criminaliza os partidos e a atividade política?
Calmon - É uma forma de inibir a atividade do Ministério Público e da Justiça. Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça. O que eles temem é a opinião pública e a mídia.

Pergunta - A Lava Jato cometeu excessos?
Calmon - Houve alguns excessos, porque o âmbito de atuação foi muito grande.

FREDERICO VASCONCELOS, FOLHAPRESS


Fonte: "yahoo"