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segunda-feira, 9 de março de 2015

Alianças espúrias 1

Mirinho Braga e sua turma no Buda Beach Bar, foto do Facebook do bar  

As pessoas podem mudar de opinião. Não existe problema algum nisso. O ser humano é falível. Após emitirem alguma opinião, elas podem verificar a existência de alguma incorreção e a corrigir. Na esfera das relações pessoais, pode ser até que algum amigo mais antigo e mais próximo questione a mudança. Estranhos, em geral, nem mesmo ficam sabendo da mudança. Na maioria dos casos, as explicações são aceitas facilmente pelos amigos. 

Na esfera política, as coisas são bem diferentes. Geralmente não há nenhum tipo de relação pessoal entre o politico e o eleitor que ouve ou lê alguma opinião emitida. Por isso, os políticos precisam tomar muito cuidado com as posições assumidas publicamente. Quando se faz uma crítica radical a um determinado político adversário, você está se diferenciando dele no campo político-ideológico, contrapondo uma concepção diferente do modo de fazer Política. Não é que não se possa fazer autocrítica de alguma opinião emitida tempos atrás, mas aquele que critica hoje e, amanhã, por alguma oportunidade de momento, esquece a crítica se aliando ao antigo adversário, não passa de um oportunista. As alianças feitas nestas condições são espúrias porque estabelecidas sem critérios éticos, sem princípio algum, por pura conveniência apenas. O bem que se busca não é o Bem da Cidade (Polis), mas apenas a realização de um projeto pessoal de Poder. 

Digo isto porque fiquei impressionado ao ver a foto acima em que o ex-prefeito Mirinho Braga comemora com sua turma o aniversário de seu amigo e parceiro político Henrique Gomes no bar Buda Beach de propriedade de seu antigo desafeto político Nani Mancini. Comemorar um aniversário de um amigo em um bar não tem nada demais. Mas o comparecimento do ex-prefeito ao bar do Nani tem um significado. Na Política é preciso interpretar os simbolismos de determinados gestos. Como acompanho a política de Búzios há muito tempo, não tomei conhecimento de nenhuma autocrítica feita pelo senhor Mirinho Braga em relação às cobras e lagartos que falou do dono do bar, lá atrás, durante o governo do Prefeito Toninho Branco (2005-2008). Como nada acontece em política por acaso, tudo indica que, devido ao impedimento eleitoral de Mirinho, uma aliança Mirinho-Nani está sendo constituída visando apoio a uma candidatura única em 2016.

Nani havia estabelecido uma aliança anterior com Ruy Borba, em torno do nome de Felipe Lopes, após a projeção obtida pelo vereador na CPI do BO.  CPI da qual Henrique Gomes recuou, mesmo tendo assinado o requerimento da sua constituição. Mas a eleição de Henrique para a presidência do Legislativo fez a dupla rifar Felipe (O ex-jornal de Ruy, o Primeira Hora, não esconde que está apoiando Henrique. Antes, apoiava Felipe). Afinal, apoiar o atual Presidente do Legislativo, que conta com o apoio de cinco vereadores, é quase garantia de vitória. O nome, Henrique Gomes, pouco importa. O importante é o retorno ao Poder. Está formada a tríplice aliança para 2016 em busca do Poder Executivo: Nani-Mirinho-Ruy. Coitada de ti, Búzios!

Relembre a seguir o que Mirinho falou de Nani:

Toninho não governa o município. As decisões referentes às ações da Prefeitura são tomadas pelo ex-assessor Nani Mancini, pelo secretário Octávio Raja Gabaglia e pelo ex-secretário de Obras Salviano Leite. "O Toninho é omisso, não tem competência para tomar decisões...é um fantoche, não tem opiniões e não sabe e nem quer governar" (Mirinho Braga, JPH, 14/06/2007).

O Toninho tem compromissos "com grupos econômicos e políticos que sonhavam, desde a emancipação, tomar conta e se apoderar de Búzios para ditar o destino de nosso município" (Mirinho Braga, Domingo, 17/06/2007).

Eles "fizeram acordos que, certamente, são impublicáveis" (idem).

"(Toninho) ainda não descobriu que é o prefeito. É um boneco manipulado pelas mãos de alguns homens irresponsáveis, sem respeito à história da cidade" (Mirinho Braga, Domingo, 27/05/2007).

O governo Toninho é o desastre "retratado no descaso, na incompetência, na desordem, no desamor, na desonestidade e na imoralidade com que Búzios é governada" ( Mirinho Braga, Domingo, 17/02/2008).

"Em função de acordos feitos no período eleitoral a prefeitura foi loteada sem o menor respeito pela hierarquia ou pela ordem administrativa. Numa secretaria manda fulano, na outra beltrano e, mais adiante, não se sabe direito quem manda o que ou em que" ( Mirinho Braga, Domingo, 10/06/2007).

"A população não aguenta mais ver gente completamente estranha às nossas raízes mandando e se comportando como se fossem senhores e donos de tudo" ( idem).

(O Prefeito) "não pegou no leme. E o prefeito infelizmente entregou o leme a pessoas que não gostam da cidade, a pessoas que querem tirar proveito da cidade, a pessoas que querem usar o público para tirar proveito para as suas necessidades privadas.. Ele (o prefeito) entregou o destino da cidade a pessoas que não têm nenhuma responsabilidade com o nosso município" (Mirinho Braga, Folha da Cidade, 1ª quinzena de fevereiro de 2008).

"Não quero me juntar a qualquer um, pois precisamos dar um basta nessa política perversa e irresponsável que o prefeito faz em Búzios" ( Mirinho Braga, Domingo, 22/04/2007).

A eleição será "duríssima, pois enfrentaremos um grande poder econômico e uma máquina administrativa sem o mínimo de escrúpulo" ( Mirinho, Domingo, 16/09/2007).

A limpeza "não é só física, temos que retirar os maus costumes que a cidade adquiriu durante os últimos anos. Quando falo a cidade, falo dentro do governo" (idem).

"A nossa crise é moral. O governo vive uma crise moral. Uma imoralidade total que está sendo presenciada por todos, um povo que não estava acostumado ma esse estado de coisas" ( Mirinho Braga, JPH, 6/1/2006).

Meu comentário:

Gostaria que o ex-prefeito Mirinho Braga respondesse às perguntas abaixo:

Mirinho, Nani não quer mais "tomar conta e se apoderar de Búzios para ditar o destino de nosso município"? 

Nani parou de fazer acordos "impublicáveis"?

Nani deixou de ser um "homem irresponsável, sem respeito à história da cidade"? 

Nani deixou de ser "gente completamente estranha às nossas raízes mandando e se comportando como se fosse senhor e dono de tudo"?

Nani passou a "gostar da cidade"?

Nani deixou de "querer tirar proveito da cidade"? 

Nani deixou de "querer usar o público para tirar proveito para as suas necessidades privadas"?

Nani passou a ter "responsabilidade com o nosso município"?

Nani não é mais "qualquer um"?