Publicidade 1

Publicidade 1

publicidade 2

publicidade 2

sábado, 10 de agosto de 2013

DIVERSIDADE CULTURAL

Thomas Sastre
"Não somos como nos vemos

A construção da política cultural e social transladou-se da cidade para os meios de comunicação, ilustrando-a apenas em uma tela.

É assim como a mídia mostra nosso modo de ser, e ao desenvolvermo-nos respondemos com desprezo ao que é diferente.

Com o mesmo propósito com que se festeja no mundo todo a Diversidade Cultural, paira uma esperança, de que nesse ano do governo do Dr. André Granado e o respectivo Secretário de Cultura Alexandre Raulino de Oliveira, recuperaremos a nossa auto-estima cultural, e retomaremos a  ideia de uma cidade sem fronteiras, reivindicando os diversos modos de ser de cada cidadão buziano.

Búzios nunca foi uma cidade homogênea  e por isso jamais pode definir-se culturalmente uniforme. Mas assim mesmo há um paralelismo com o ideário de um município integrado.

Esta cidade passou sua vida dissimulando origens, escondendo embaixo dos tapetes dos governos as diversas etnias que povoaram a aldeia de pescadores, misturando ou liquidando múltiplas identidades, reduzindo grupos sociais com suas tradições.

Selou-se para a nostalgia atual rótulos como “o paraíso buziano”, mas o tempo e a história se encarregam de mostrar-nos na cara que não somos puros como nos vemos. Somos parte de uma sociedade deslumbrada, sábios e eruditos, apenas isso.

Apesar desses falsos valores, os nativos e os imigrantes de outros estados e países marginalizados pela exclusão social, podem suportar o trabalho e a exploração com mais dignidade de quem os gera.

As expressões musicais nas periferias geram sempre muitos adeptos, mas seu clube de detratores, que é cada parcela da tal dita sociedade buziana, recrimina depreciativamente cada vez que nega qualquer expressão artística. E damos um passo pra trás na construção de uma cidade verdadeira, para todos, sem fronteiras urbanas intransponíveis, com menos violência, com uma ideia de concórdia e bem estar.

Uma tarefa nada fácil, pois ademais de toda essa riqueza de identidade que povoa o município, considerada pobreza aos olhos do sistema,  existe uma expressão cultural que encarna os humildes, e assim mesmo não podem tirar-se de cima deles o estigma de cidadãos de segunda classe. Estas manifestações que não são pensadas, espontâneas, sem a menor ideia de que podem ser mal divulgadas. A partir das políticas culturais bem divulgadas, como subculturas de bairros, não podem passar despercebidas aos olhos dos políticos.

Devem pleitear-se seriamente sua gestão, tendo em conta  a diversidade cultural, como um modo de garantia de que todas essas expressões que se encontram fragmentadas em Búzios, tenham a possibilidade de existir, de ter visibilidade e reconhecimento como uma estratégia política-cultural para não cairem na armadilha da violência, como único testemunho de pertinência, e como aval da voluntariedade de ser bem no meio de uma sociedade que  lhe torna difícil a vida em sua plenitude.

A necessidade de planejar calendários e políticas públicas , centralizando-as no eixo da diversidade cultural não implica em trabalhar simplesmente em um suposto âmbito da cultura. Abarca a esfera do político, econômico e social de maneira rotunda, pois a negação histórica e sistemática da diversidade mantém até os dias de hoje uma coleção de novos marginalizados, desconectados, diferentes e desiguais. Citando um exemplo: Búzios foi sempre toda direcionada a Rua das Pedras, e ao Centro, sempre em destaque, e o resto, sempre é o resto.

Existem casos de jovens que desempenham distintos trabalhos e fixam suas residências em casa de parentes e amigos, que moram no centro, com vergonha de revelar seu bairro de origem periférica. Existem jovens que não podem ascender a oportunidade de emprego, e são empurrados para uma realidade de ocupações ilícitas, ou diretamente condenados a raízes laborativas por carecer de outras oportunidades que não seja o comércio ambulante.

O mais problemático, as favelas, os bairros inexpugnáveis, os guetos, e mais frequente que sua construção venha de fora dos meios, e por meios da indústria cultural, que por não terem (eles), seus habitantes, as ferramentas para construir sua própria identidade, seus símbolos, suas verdadeiras representações, seu orgulho pessoal e grupal, acabam se isolando e gerando atitudes de revolta.

Vamos ser claros e com humildade entenderemos o que é a Diversidade Cultural, para aqueles que não sabem.

A diversidade Cultural é um conceito essencial,  impulsionado de maneira recente por uma declaração em 2001, e divulgada na Convenção  da Unesco em 2004. A Diversidade Cultural não deve impor-se simplesmente, porque o diálogo entre gente que pensa diferente soa bonito, atrativo, exótico, tampouco deve implantar-se porque é um exercício de tolerância, e reconhecimento do outro. A diversidade cultural oferece um entendimento da complexidade do que é fruto de cada cidadão na atualidade, é por isso que deve estruturar-se em conjunto, porque a falta de reivindicação dos grupos sociais, sua omissão, e sua falta de integração na cidade, por parte dos governos, equivale a oferecê-los como simples objetos das mais variadas formas de exploração ao que pode submetê-los o mercado.

Para trabalhar em políticas públicas de inclusão de grupos étnicos, desiguais, e diferentes, índios, negros, brancos, mulatos, amarelos, rosas...originários, é preciso reconhecer e entender sua capacidade de criação, tais como artesãos , balés folclóricos , a música popular , forró, pagode, funk, hip-hop, samba, bandas tradicionais, chorinhos, blocos de carnavais, cinemas nas praças, (como espetáculo), teatros de bairros , festas tradicionais (Sta Rita, Santana), músicas eruditas, escola de cinema de bairros, poesias, escultura, belas artes, circo. A cultura do espetáculo, festival de blues e cinema já  tem seus espaços garantidos e seu sucesso absoluto na cultura do espetáculo.

É preciso abrir-lhes caminhos para se constituírem imagens poderosas de si mesmo, através das gestões associadas a alianças com políticas sociais, reativar casa de cultura nos bairros, dar-lhes um respaldo e uma segurança cultural séria, programas que garantam a governabilidade em calendários artísticos, que promovam a inclusão , que ofereçam alternativas de trabalho e criação.

De fato que a implementação implica a inversão financeira de parte do município ou estado, em todas as suas inversões, pela qual os municípios argumentaram em todos os governos nunca ter dinheiro, mas isso não é uma razão séria e honesta no mundo atual. Nossos municípios vizinhos  vem investindo fortunas, financiando a arte local, e a nós ninguém nos obriga  a converter-nos em vítimas.

Para termos uma cultura sólida, além de pessoas preparadas, sem egos, e vaidades, há que se ter um Conselho deliberante da cidade, integrado por pessoas ligadas a cultura, e não a política, evitando-se assim picaretagens culturais. Criar dentro da secretaria o Instituto da Diversidade, um espaço singular e inédito de articulação social e cultural.

Uma ideia que deu certo, em vários países, resolvendo a exclusão social e o analfabetismo em 70 por cento.
O que se espera para o município é que se construa uma Diversidade Cultural com esperança e justiça".

Thomas Sastre