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terça-feira, 18 de setembro de 2018

E proclamamos que não se exclua Ninguém senão a Exclusão.

Anistia Internacional Brasil


Anistia Internacional lança clipe “Manifestação” comemorando aniversário do movimento e 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Gravação contou com mais de trinta nomes da música brasileira, entre eles artistas como Chico Buarque, Criolo, Ludmilla e Fernanda Montenegro

No ano que se comemoram os setenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o aniversário de 57 anos do movimento global Anistia Internacional, artistas brasileiros das mais diversas gerações apresentam o videoclipe Manifestação” cuja letra trata de diversos tipos de violações de direitos humanos recorrentes no Brasil e chama a sociedade para mobilização. A produção musical é de Xuxa Levy, a letra de Carlos Rennó, e a música de Russo Passapusso, Rincon Sapiência e Xuxa Levy. O videoclipe “Manifestação” tem a direção de João Wainer e Fábio Braga. A produção executiva é de Beth Moura e o clipe foi gravado nos estúdios Na Cena, apoiador do projeto, e Gege..

A gravação da música contou com a participação de mais de trinta artistas brasileiros: Criolo, Péricles, Rael, Rico Dalasam, Paulo Miklos, As Bahias e a Cozinha Mineira, Luedji Luna, Rincon Sapiência, Siba, Xênia França, Ellen Oléria, BNegão, Filipe Catto, Chico César, Moska, Pretinho da Serrinha, Pedro Luís, Marcelino Freire, Ana Canãs, Marcelo Jeneci, Márcia Castro, Russo Passapusso, Larissa Luz, Ludmilla e Chico Buarque. Além dos cantores, a gravação contou a participação das atrizes Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Letícia Sabatella e Roberta Estrela D’Alva.
A banda é formada pelos músicos Benjamin Taubkin (piano), Os Capoeira (percussão), Siba (rabeca), Marcelo Jeneci (acordeon), Emerson Villani (violões e guitarra), Robinho (baixo), Samuel Fraga (bateria), DJ Nyack (pickups), Roberto Barreto (guitarra baiana)..
Para a diretora-executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck: “O lançamento deste clipe é um marco para lembrarmos que, mesmo após 70 anos da Declaração Universal de Direitos Humanos, a mobilização para que nossos direitos sejam garantidos continua sendo crucial. A letra da música descreve graves violações de direitos humanos, como a violência que sofrem as populações negra, indígena, quilombola, LGBTI, bem como refugiados, mulheres e pessoas que vivem em favelas e periferias. No país que tem o maior número de pessoas assassinadas por ano, a cancão-protesto transmite a força e ânimo que tanto precisamos para continuar lutando.”.

Os 117 versos escritos por Carlos Rennó mostram a indignação diante dos mais de 61 mil homicídios cometidos por ano no país; do racismo que atinge de formas perversas a sociedade; o machismo e a LGBTfobia que faz com que pessoas sejam mortas, agredidas e humilhadas por sua individualidade; da falta de moradia e de outros direitos violados no cotidiano de uma parcela significativa da população brasileira..
O compositor conta que, logo após finalizar a letra, imaginou que a sua musicalização poderia servir à campanha por direitos humanos da Anistia Internacional. Segundo Rennó, “através das 32 vozes que a gravaram, a canção busca dar voz aos silenciados, invisibilizados, excluídos, discriminados, às vítimas de preconceito, racismo e intolerância, aos violentados brasileiro citados à exaustão em “Manifestação”.]
Letra da músicaManifestação
Letra de Carlos Rennó
Música de Russo Passapusso, Rincon Sapiência e Xuxa Levy.
Aqui ´stamos na avenida,

Pelas ruas, pela vida,

Marchando com o cortejo
Que flui horizontalmente,
Manifestando o desejo 
De uma cidade includente 
E uma nação cidadã tra-
Duzido numa canção,
Numa sentença, num mantra,
Num grito ou numa oração…
Por todo jovem negro que é caçado

Pela polícia na periferia; 

Por todo pobre criminalizado
Só por ser pobre, por pobrefobia;
Por todo povo índio que é expulso 
Da sua terra por um ruralista;
Pela mulher que é vítima do impulso
Covarde e violento de um machista;
Por todo irmão do Senegal, de Angola

E lá do Congo aqui refugiado;

Pelo menor de idade sem escola,
A se formar no crime condenado; 
Por todo professor da rede pública
Mal-pago e maltratado pelo Estado;
Pelo mendigo roto em cada súplica;
Por todo casal gay discriminado.
E proclamamos que não

Se exclua ninguém senão

A exclusão.
Aqui ´stamos nós de volta,

Sob o signo da revolta,

Por uma vida mais digna
E por um mundo mais justo,
Com quem já não se resigna
E se opõe sem nenhum susto
A uma classe dominante
Hostil à população,
Numa ação dignificante
Que nasce da indignação…
Por todo homem algemado ao poste, 

Tal qual seu ancestral posto no tronco;

E o jovem que protesta até que o prostre 
O tiro besta de um PM bronco;
Por todo morador de rua, sem saída, 
Tratado como lixo sob a ponte;
Por toda a vida que foi destruída 
Em Mariana ou no Xingu, por Belo Monte;
Por toda vítima de cada enchente,

De cada seca dura e duradoura; 

Por todo escravo ou seu equivalente;
Pela criança que labuta na lavoura;
Por todo pai ou mãe de santo atacada
Por quem exclui quem crê num outro deus;
Por toda mãe guerreira, abandonada,
Que cria sem o pai os filhos seus.
E proclamamos que não se exclua ninguém 

Senão a Exclusão.
Eis aqui a face escrota

De um modelo que se esgota. 

Policiais não defendem;
Políticos não contentam;
Uns nos agridem ou prendem;
Outros não nos representam. 
E aquele que não é títere,
E é rebelde coração,
Vai no Face, no zapp e Twitter e
Combina um ato ou ação…
Por todo defensor da natureza

E todo ambientalista ameaçado;

E cada vítima de bullying indefesa;
E cada transexual crucificado;
E cada puta, cada travesti;
E cada louco, e cada craqueiro;
E cada imigrante do Haiti;
E cada quilombola e beiradeiro;
Pelo trabalhador sem moradia,

Pelo sem-terra e pelo sem-trabalho; 

Pelos que passam séculos ao dia
Em conduções que cansam pra caralho;
Pela empregada que batalha, e como,
Tal como no Sudeste o nordestino;
E a órfã sem pais hetero nem homo,
E a morta num aborto clandestino.
Impelidos pelos ventos

Dos acontecimentos,

Louvamos os mais diversos 
Movimentos libertários
Numa cascata de versos
Sociais e solidários
Duma canção de protesto
Qual “Canção de Redenção”, 
Uma canção-manifesto,
Canção “Manifestação”…
Por todo ser humano ou animal

Tratado com desumanimaldade;

Por todo ser da mata ou vegetal
Que já foi abatido ou inda há-de;
Por toda pobre mãe de um inocente 
Executado em noite de chacina;
Por todo preso preso injustamente,
Ou onde preso e preso se assassina;
Pelo ativista de direitos perseguido 

E o policial fodido igual quem ele algema;

Pelo neguinho da favela inibido
De frequentar a praia de Ipanema; 
E pelo pobre que na dor padece
De amor, de solidão ou de doença;
E as presas da opressão de toda espécie, 
E todo aquele em quem ninguém mais pensa…
E proclamamos que não se exclua ninguém 

Nem nada senão a Exclusão.
Dando à vida e à alma grande

Um sentido que as expande,

Cantamos em consonância 
Com os que sofrem ofensa,
Violência, intolerância,
Racismo, indiferença; 
As Cláudias e Marielles,
Rafaeis e Amarildos
Da imensa legião
De excluídos do Brasil, do S-
Ul ao norte da nação.
E proclamamos que não se exclua 

Ninguém senão a Exclusão.

Intérpretes: Ana Cañas, As Bahias e a Cozinha Mineira (Raquel Virgínia e Assucena Assucena), BNegão, Camila Pitanga, Chico Buarque, Chico César, Criolo, Ellen Oleria, Fernanda Montenegro, Filipe Catto, Larissa Luz, Leticia Sabatella, Ludmilla, Luedji Luna, Marcelino Freire, Marcelo Jeneci, Márcia Castro, Paulinho Moska, Paulo Miklos, Pedro Luís, Péricles, Pretinho da Serrinha, Rael, Rico Dalasam, Rincon Sapiência, Roberta Estrela D´Alva, Russo Passapusso, Siba e Xênia França.

Fonte: "anistia"