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quarta-feira, 15 de março de 2017

Caixa 2 é coisa de bandido. Ponto

Fachada da sede da construtora Odebrecht, foto Folha de São Paulo

"Já houve antes, em 2005, uma conspiração para proteger os corruptos daquele momento, semelhante à que agora promovem PSDB, PMDB, PT e vários outros —prova cristalina de que são todos farinha do mesmo saco.

Torturam os fatos e a mais elementar lógica para tentar demonstrar que caixa 2 é uma atividade, digamos assim, natural, corriqueira até.

Que é corriqueira, prova-o definitivamente a afirmação de Emílio Odebrecht, patriarca afastado da notória empreiteira, segundo quem trata-se do "modelo reinante" na política desde sempre.

Esse desde sempre abrange, pelo tempo de vida da Odebrecht, também o período do regime militar, o que deveria servir para que os que ainda têm cérebro mas, mesmo assim, querem a volta dos militares, percebam que corrupção não distingue farda de terno.

Naquele já remoto 2005, no entanto, surgiu a voz de um notável advogado, Márcio Thomaz Bastos (morto em 2014), para produzir uma frase impiedosa mas perfeita: "Caixa 2 é coisa de bandido".

Ajuda-memória: Márcio era ministro da Justiça do governo do PT, o partido que, naquela época, era o mais afetado pelo escândalo (o do mensalão) e o que mais se batia pela tese de que tudo não passava de um inocente caixa 2.

Agora, não há uma voz tão respeitável e potente para evitar que prospere o fato alternativo de que caixa 2 não é coisa de bandido.

Vem, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso para tentar separar o que é crime (corrupção) do que é "erro" (caixa 2). Falso. Caixa 2, se é coisa de bandido, como de fato é, não passa de coisa de bandido.

Se vai para o bolso dos beneficiados ou para o caixa de campanha, tanto faz, é uma vantagem indevidamente concedida a quem recebe o dinheiro.

Vem também Aécio Neves, o presidente do PSDB, para reclamar que a "criminalização" da política vai acabar provocando o surgimento de um "salvador da pátria".

Um caso cínico de confundir causa e consequência: o que pode provocar o nascimento de um "salvador da pátria" é o fato de que os políticos, com exceções raras, estão eles próprios criminalizando a política e ainda tentando blindar quem pratica os crimes.

Se a própria Odebrecht, a rainha do caixa 2 e da propina, confessa, em nota oficial, ter participado "de práticas impróprias em sua atividade empresarial", como é que alguém que se beneficiou de tais práticas pretende sair limpo?

Se Márcio Thomaz Bastos fosse vivo, diria que "práticas impróprias" é coisa de bandido. E tudo estaria dito".

Clovis Rossi


Fonte: "clovisrossi"