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sábado, 21 de maio de 2016

"Roubar pro partido pode; meter dinheiro no bolso não"

Zé Dirceu, foto gazetadopovo
O PT jogou limpo nas eleições de 1989. Perdeu. Jogou limpo novamente em 1994. Perdeu de novo. Começou a jogar sujo, fazendo incipiente caixa 2, em 1998. Perdeu mais uma vez, pela terceira vez. Em 2002, resolveu escancarar. Fez caixa 2 por todos os cantos do país. Ganhou. Mas era consenso entre todas as correntes políticas majoritárias da agremiação: podia-se roubar à vontade pro partido, mas não pra benefício próprio. Celso Daniel (e Toninho do PT) foram mortos por se rebelarem contra o descumprimento, vamos dizer assim, deste "princípio" partidário. 

Agora, com a operação Lava Jato, ficamos sabendo que as grandes lideranças partidárias mandaram o "princípio" às favas. Até mesmo o "capitão do time" (segundo Lula) Zé Dirceu! O grande líder petista (só inferior a Lula) foi condenado a 23 anos e três meses de prisão- a maior pena pena até aqui da Lava Jato- pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Fica claro na sentença do Juiz Sérgio Moro que o corrupto Dirceu foi beneficiado pessoalmente de repasses  e aquisições de bens e serviços porque parte das propinas acertadas pela Engevix Engenharia com a Diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobrás era destinada ao acusado José Dirceu de Oliveira e Silva e a Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura, por serem os responsáveis pela indicação em manutenção de Renato de Souza Duque no referido posto.

REPASSES

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) e seus aliados teriam recebido propina de R$ 15 milhões do esquema instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Os pagamentos foram realizados para a JD Assessoria que emitia notas de serviços supostamente fictícios. Considerando apenas a Engevix Engenharia, José Dirceu teria recebido pelo menos R$ 11.884.205,50. É o que consta na sentença.

1) Repasse de R$ 1.006.235,00 da Jamp para a JD. Contrato celebrado em 15/04/2011 entre a Jamp Engenheiros Associados, empresa de Milton Pascowitch, e a JD Assessoria e Consultoria, controlada por José Dirceu, deu causa a emissão de treze notas fiscais e repasses, entre 20/04/2011 e 27/12/2011, nesse montante. Os valores eram propina, sendo o contrato simulado. Nenhum dos repasses teria causa, sendo simulados os contratos de prestação de serviços entre a Jamp e JD Consultoria, ou foram superfaturados para embutir propinas.

AQUISIÇÕES DE BENS E SERVIÇOS

1) R$ 387.000,00 para pagamento de parte do preço do imóvel em que está localizada a sede da JD Assessoria, em endereço caro de São Paulo, na Avenida República do Líbano, Ibiapuera. A empresa encerrou suas atividades depois do estouro da Lava Jato. Esses valores foram transferidos pela Jamp Engenheiros Associados, em 27/12/2011, para a conta bancária do escritório de advocacia Leite & Rossetti.

2) R$ 1.508.391,91 pagos à arquiteta Daniela Leopoldo e Silva Facchini por serviços de reforma efetuados no imóvel consistente na chácara 1 (esse pessoal do PT gosta de chácara, sítios, e assemelhados), Gleba N, Parque do Vale da Santa Fé, Vinhedo/SP. Essa reforma e benfeitorias, "com valores provenientes do crime", foram feitas no imóvel em nome da TGS Consultoria, mas que fato era de propriedade do ex-ministro. Os pagamentos foram efetuados por Milton Pascowitch e pela Jamp Engenharia para a referida arquiteta. Para justificar o repasse, Milton e José Adolfo Pascowitch simularam que os valores teriam sido doados.  

3) R$ 500.000,00 para a aquisição por Milton Pascowitch de imóvel localizado na Rua Assungui nº 971, Saúde, São Paulo/SP.  O imóvel, que está em nome de Camila Ramos de Oliveira e Silva, filha de Dirceu, foi vendido simuladamente com transferência de recursos provenientes do crime à Jamp Engenheiros, empresa que pertence ao lobista Milton Pascowitch. 

4) R$ 388.366,00 por serviços de reforma efetuados pela empresa Halembeck Engenharia Ltda no imóvel localizado na Rua Estado de Israel nº 379, apto 131, Saúde, São Paulo, SP. Esses valores provenientes do crime foram pagos entre 14/08/2009 e 06/05/2010 em espécie e também por transferências bancárias pela Jamp Engenharia e pelo próprio Milton Pascowitch à referida empresa. O imóvel encontra-se em nome de Luiz Eduardo, irmão de José Dirceu, mas pertencia de fato a Zé Dirceu.   

5) R$ 1.071.193,00 para aquisição de 1/3 da aeronave Cessna Aircraft, modelo 560XL, número de série 560-5043, matrícula PTXIB. A aeronave foi adquirida em 07/07/2011 por Milton Pascowitch e José Adolfo Pascowitch de Júlio Camargo, tendo sido ocultado que José Dirceu tinha parte da aeronave, bem como a natureza dos recursos empregados. Em seguida, porém, em agosto de 2011, o negócio foi cancelado em razão de matéria jornalística envolvendo a aeronave, sendo o numerário devolvido a José Dirceu.

Fonte: Justiça Federal, PR.