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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

OBITUÁRIO de Isac Tillinger, pelo próprio

Isac Tillinger, foto do perfil no Twitter


"Antes que alguém com pressa de fazer meu obituário escreva qualquer coisa, enchendo o espaço com sentimentalismo barato, prefiro eu mesmo fazer o meu, por mais absurdo que isto pareça. Aliás, comigo nada é absurdo, tudo é absolutamente normal, dentro dos meus conceitos, obviamente. Nada daquele papo de “coitadinho era uma boa pessoa” ou “era tão moço”, até porque faz muito tempo que deixei de ser boa pessoa e não sou tão moço assim. Tem que ser um necrológico sincero, porque de que vale a vaidade depois de morrer – só a vaidade de estar morto.

Não fui um bom filho, o que não quer dizer que os meus pais seriam melhores filhos se eu fosse o pai. Bom marido não fui, bom, também com as mulheres que vivi não me deram esta oportunidade. Nunca roubei – salvo algumas miudezas em lojas de departamento (afortunadamente o alarme nunca tocou), nunca menti conscientemente, aliás considero este um dos meus grandes defeitos.Sacanear os amigos sempre foi meu esporte preferido, mas tive a sorte de mesmo assim continuar a tê-los como amigos. Egoísta fui a vida toda, como todos, porem tratei de nunca revelar a ninguém, como todos. 

Jamais amei ao próximo como a mim mesmo, em contra partida nunca ninguém me amou como eu mesmo. Fui covarde e fui valente, a única pessoa a que tive medo foi a mim mesmo, isso prova a minha valentia. Nunca tomei nada de ninguém, mas vou deixar tudo que não tenho para os têm menos que eu. Nunca cobicei a mulher do próximo, só a do afastado. Nunca tive inimigos, apenas desafetos, mesmo as aves de rapina travestidas de pássaros silvestres não foram classificadas como tal, afinal como filho de psiquiatras conheço bem as mentes psicopatas. Preocupei-me mais com meus desafetos que com meus amigos, afinal os amigos nem sempre se preocupam com a gente.

Defendi minha vida do meu jeito, mas jamais a arrisquei para defendê-la. Dinheiro nunca foi uma preocupação, pois nunca tive nada. Segredos nunca tive, como jornalista passei todos adiante. Sempre fui ateu, mas confesso que nos últimos tempos estava acreditando em tudo, a proximidade da morte faz isso. Conquistei varias mulheres, poucas com o coração, algumas com a lábia e muitas com o jornal. Sempre tive pavor a médicos, eles sempre descobrem enfermidades que nunca imaginávamos ter. 

Um orgulho é ter vivido 120 anos em apenas sessenta: finalmente livrei-me desta maldita insônia. Tive a fortuna de ter dois amores incondicionais: minha mãe e minha filha, de que levo comigo um pedaço do seu corpo e todo seu coração. Desligo, acabaram os creditos".

MINHA LAPIDE:
 "Fui, mas a Eva continua na redação aguardando seu anuncio".

Observação:
O texto acima foi surrupiado do perfil do Facebook de Hamber Carvalho. Ele recomenda que as pessoas, antes de qualquer comentário sobre o falecimento de Isac Tillinger, leiam este obituário escrito pelo próprio em 6 de setembro de 2014. 

Comentários no Facebook:
Comments
Clarice Terzi Esse obituário é do Marcelo Lartigue. Pergunte a sua filha, Eva.
CurtirResponder16 h
Luiz Carlos Gomes Clarice, acho que você tem razão. O Hamber me induziu ao erro. No final do texto ele fala do pedaço da filha que ele leva consigo, referindo-se ao transplante que fez antes de morrer. 



ERRATA

O obituário publicado neste post "Obituário de Isac Tillinger, por ele mesmo" não era do Isac Tillinger. Uma leitora atenta - Clarice Terzi- me alertou do erro. Eva, filha de Marcelo Lartigue, confirmou que o texto era realmente de seu pai. Ele, e não Isac, era filho de psiquiatras. E mais: Isac não tinha filha.

Fui induzido a erro por este comentário de Hamber Carvalho em seu perfil do Facebook antes da publicação do obituário: "Antes de comentar sobre o falecimento de Isac Tillinger, leia o obtuário escrito pelo próprio em 6 de setembro de 2014".

Meus agradecimentos à Clarice pela informação. 


Ver a errata em: