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segunda-feira, 30 de março de 2015

O desemprego é assustador

José Carlos Alcântara
Mais de 11 mil empregos com carteira assinada foram, perdidos no último mês em todo o estado do Rio de Janeiro. Este é o pior resultado para um mês de fevereiro, desde que o levantamento começou a ser feito em 1992. Segundo o mapa nacional do desemprego do Ministério do Trabalho, o comércio foi o setor que mais fechou postos: 6.010. Em seguida vem a construção civil, com 4.043 demissões e a indústria de transformação, com 2.544  postos fechados.

Em São Gonçalo, não é difícil encontrar desempregados distribuindo os seus currículos em busca de uma oportunidade no mercado. A todo momento, as pessoas entram à procura de emprego no posto do Sine, um dos que atendem aos empregados demitidos do Comperj - Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Com a súbita desaceleração dessas obras, o município registrou a maior queda percentual e mais de 1.200 empregos formais já foram fechados.

Mas, foi a cidade do Rio de Janeiro que teve a maior perda absoluta. Fevereiro terminou com 2 mil empregos a menos, (1.993). A fila do seguro desemprego, que pode ser observada no centro, começa antes do amanhecer. Economistas afirmam que esse resultado ruim, está diretamente ligado aos problemas da Petrobras e ao fim dos empregos temporários comuns na virada do ano.

A construção do Comperj, em Itaboraí, prometia transformar a região num novo eldorado do petróleo. Mas, para ao menos 15 mil trabalhadores o sonho acabou, por causa das demissões após o início da crise da Petrobras e, muitos ex-empregados vindos de Minas Gerais ou do Nordeste, não receberam a multa por rescisão de contrato e agora passam por dificuldades e, sem poder retornar aos seus locais de origem, a cidade ficou estagnada.

Em todo o Brasil, somente os canteiros de obras do Comperj (mais de 15 mil demissões); da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, Pernambuco (22 mil); e da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul – alguns dos principais projetos de infraestrutura da Petrobras – somam ao menos 37 mil demissões. Por causa das mudanças no modelo de gestão, a empresa já vinha cancelando ou revisando seus contratos com empreiteiras.

Com o início da Operação Lava Jato e a divulgação do envolvimento de construtoras em casos de corrupção, as dificuldades aumentaram e as demissões em todo o Brasil se aceleraram, num prenúncio de que a crise da maior empresa brasileira, poderá gerar um impacto ainda maior na economia brasileira. "Todas as empresas envolvidas na Operação Lava Jato estão demitindo em massa e existem empreiteiras que abandonaram a Refinaria Abreu e Lima sem deixar a obra pronta", diz o coordenador de fiscalização do Sintepav-PE.

"Muitos empregados pediram demissão e ainda não receberam o valor inteiro da rescisão." E a situação deve piorar. Pois, sem dinheiro, muitas empresas – como a Alumini Engenharia (ex-Alusa) e a Iesa Óleo e Gás – solicitaram a entrada em processo de recuperação judicial depois que a estatal interrompeu os repasses dos pagamentos. A crise afeta não só empreiteiras, mas também os estaleiros envolvidos na construção de plataformas e navios-sonda.

A Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Alumini Engenharia, uma das empreiteiras que mais demitiu no Comperj e na Refinaria Abreu e Lima. A empresa alega que tem 1,2 bilhão de reais a receber da Petrobras. "É muito difícil estimar o impacto da crise. Até porque não sabemos se ela está no começo ou no meio. Mas, com certeza, não está no fim. A Petrobras entrou em crise num momento em que o país também está em crise. Essa coincidência é muito perversa", afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Para o economista Márcio Salvato, do Ibmec-MG, os problemas na Petrobras vão gerar um efeito em cascata na economia brasileira, já marcada pelo baixo crescimento e pelas medidas de austeridade anunciadas pelo governo federal. Para as empresas que têm contratos só com a estatal, é esperado um período muito conturbado. Em alguns casos, não é possível descartar a falência. "Para as que têm menor dependência da estatal, haverá problemas para substituir a carteira de clientes, porque o nível da atividade econômica brasileira está caindo e as atividades de investimentos e obras também devem desacelerar. Com isso, não haverá espaço para todos os trabalhadores demitidos", afirma Salvato.


José Carlos Alcântara

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